segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Positivismo Histórico - Um estudo sobre a corrente historiográfica mais utilizada de meados do século XIX ao inicio do século XX

IntroduçãoO homem ao escrever a História, reflete nela o seu presente. Desde Heródoto (o primeiro a usar a palavra história com o sentido de investigação) até os dias atuais, ela vaga ao sabor das idéias e concepções humanas da época em que estiver sendo escrita.
Na Grécia antiga, a História é uma reflexão sobre seus mitos, a procura para retirar dos mesmos, o fantasioso, o dúbio através da investigação das fontes existentes, orais ou escritas, porque para alguns desses primeiros pensadores do saber histórico, essas lendas pareciam-lhes rizíveis (BORGES 2006). Os romanos agregam ao modo de fazer história de seu tempo, um caráter utilitário, pragmático, um acessório à grandeza de Roma, idéia essa que com a decadência do império foi assimilada pela Igreja. Para ela Deus é o sentido global da história da humanidade.
A quebra dessa visão teológica leva o homem a buscar na razão a explicação do que o rodeia. Nessa época desenvolveram-se técnicas para analise do material que fornecerá dados para a interpretação histórica, são as chamadas técnicas auxiliares da História.
No século XIX, com a afirmação dos nacionalismos europeus e a necessidade de criar bases sólidas para a “união nacional”, surge a preocupação de tornar a História numa ciência o mais exata possível, uma vez que ela será a aliada escolhida para dar aos nacionalistas europeus os símbolos que tanto necessitam. Essa será a principal aspiração da chamada “escola científica alemã”, é sua acentuada crítica às fontes que vai dar força ao Positivismo Histórico.
AntecedentesAntes de entrarmos no assunto propriamente dito do positivismo histórico procuremos entender o que foi o Positivismo e assim compreender sua influencia duradoura, não só na História, como também em outras ciências sociais.
O Positivismo foi uma doutrina desenvolvida por Auguste Comté; rejeita todas as noções a priori (segundo ele essas noções estariam carregadas de preconceitos e imprecisões), para só admitir princípios formulados por métodos empíricos (observação imediata e experiência). Caracteriza-se pelo impulso que deu ao desenvolvimento de uma orientação cientifica à filosofia e a outras ciências humanas, na verdade ele buscava dar às ciências humanas o caráter de ciência, o mais exata possível, o que para ele só se conseguiria trazendo os métodos das ciências naturais para o estudo das sociedades (VIEIRA 2000).
Comte idealizou o positivismo como o terceiro estágio de desenvolvimento da sociedade (os demais seriam o teológico e o metafísico), estendendo assim a atuação de sua doutrina a todas as áreas do conhecimento humano, culminando com aquilo que ele denominou a “Religião Positiva”(SÊGA 2004). No presente trabalho veremos a influencia de suas idéias, sobre a forma de fazer história, já que de meados do século XIX as primeiras décadas do século XX, a História Positivista impõe seu estilo e método.
MétodoBuscando uma aproximação com as ciências da natureza, a historiografia positivista elegeu como objetivos a serem alcançados em seus trabalhos duas coisas: primeiro, determinar os fatos; segundo, estabelecer leis gerais que se aplicassem a todos esses fatos.
Os historiadores positivistas tentavam determinar as “leis” da História recolhendo todos os fatos possíveis, e pela necessidade de se trabalhar com o verídico, o autêntico, privilegiam os documentos oficiais, acreditando encontrar nele suma História imparcial, despida de acréscimos. Para ilustra o fato tomemos, pois, Saint-Simon, um dos primeiros positivistas para ele a ‘‘lei’’ do progresso histórico tinha a mesma condição que uma lei natural da física e, na verdade, devia ser olhada como uma lei da “fisiologia social” (Haddock 1989)
Escrevem uma sucessão de fatos isolados que tem como tema os reis, as dinastias, os heróis, batalhas, tratados, entre outros acontecimentos, sem buscar interpretá-los, pois acreditam ser esse um trabalho para a sociologia. Para esses historiadores o documento falava e lhes dizia que os fatos apresentavam-se unidos numa cadeia de causas e conseqüências, de forma que seria possível até prever o desenrolar dos acontecimentos.
O positivista precisa olhar para o passado como algo realmente morto, algo com o qual ele não poderia ter relação alguma, para que seu trabalho seja considerado realmente científico, pois acreditavam piamente ser possível manter uma postura neutra em relação ao objeto estudado.
Ser um bom historiador positivista é ser livre das paixões, abandonando as pré-noções, uma vez que elas surgiam sem método, e abordar as fontes para delas ouvir e transmitir fielmente o que elas têm a dizer.
Foi com esse “aparato” ideológico que a historiografia positivista foi alçada ao topo: seu estilo, método, seu rigor torna-se em academicismo no inicio do século XX (TÉTART 2000). Está no seu apogeu, mas já se fazem ouvir críticas contra a sua maneira de fazer História.
CríticasNo século XX, as críticas feitas ao Positivismo passaram a ser contundentes, classificados como compiladores de fatos oficiais por afastarem-se deliberadamente da documentação não-oficial (consideravam-na cheia dos pontos de vista de quem as escreveu), jornais, cartas e outras fontes não podem ser para eles documentos de análise histórica, acreditando que na documentação oficial encontrariam uma descrição dos fatos livre de paixões, interesses, etc., considerando apenas os escritos oficiais, eles recusam-se a confrontarem-se com a analise dos dados orais, com a intuição, enfim viram o rosto para as indeterminações da História (TETÁRT 2000). Afinal são essas indeterminações que contrariam e põem abaixo as leis gerais que tanto prezam.
Refletem, portanto, o fato histórico como um espelho, sem aplicar-lhe a mínima reflexão. E por refletirem justamente a História oficial, essa corrente se institucionaliza com facilidade.
Ao colocarem o documento oficial no status de única prova histórica e o historiador com o dever de seguir fielmente a esse documento para garantir a objetividade, os positivistas excluíam a idéia da intencionalidade contida nas ações estudadas, em outras palavras acreditavam ser possível atingirem a neutralidade.
Excluindo outras fontes do estudo histórico, como cerâmicas, moedas, armas e outros (que para o positivista só poderiam ser usadas na ausência do documento oficial e ainda com ressalvas), a historiografia positivista tornava-se marcadamente estéril. Institucionalizada, a História positivista excluía a sociedade, suas classes e suas lutas do processo histórico.
Desconsiderando os procedimentos hipotéticos e dedutivos, em sua obsessão empírica, sua forma de escrever História tornou-se monótona, apenas uma sucessão de fatos.
ConclusãoAs críticas apontadas anteriormente levam a gradual substituição de suas idéias; para a Escola dos Annales que surge nesse momento o documento já não fala por si, mas necessita que sejam feitas as perguntas apropriadas (VIEIRA 2000), aos marxistas ficou claro que um dos erros principais do positivismo foi sua ignorância em relação a luta de classes. Enfim, nos dias de hoje, o Positivismo passou a ser um corrente minoritária, uma vez que compreende-se que o objetivo do conhecimento histórico é entender o acontecimento histórico em sua singularidade, não buscar leis gerais que se apliquem a todos.
Tendo contribuído para a consolidação da história enquanto ciência, para firmar o documento enquanto prova, o positivismo histórico cumpriu seu papel, e voltando ao ínicio, foi uma maneira como os homens de seu tempo viram o passado.
Bibliografia
• BORGES, Vavy Pacheco. O que é História. Ed. Brasiliense. 2ª edição. São Paulo-SP. 2006
• VIEIRA, Maria do Pilar; PEIXOTO, Maria do Rosário da Cunha; KHOURY, Yara Maria Aun. A Pesquisa em História. Ed. Ática. 4ª edição. São Paulo-SP. 2000
• TETÁRT, Philippe. Pequena História dos Historiadores. Trad: Maria Leonor Loureiro. Edusc- Bauru-SP. 2000
• HADDOCK, B.A. Uma Introdução ao Pensamento Histórico. Trad: Maria Branco. Gradiva. 1ª edição. Lisboa. 1989
• SÊGA, Rafael Augusto. Ordem e Progresso. In: História Viva(revista) N° 05 Março de 2004.

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