segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Quem deve pagar pela crise

               Vivemos em um país verdadeiramente absurdo! Inexplicável. Onde os contrastes não se resumem só a desigualdade social, mas a muitas outras coisas. Onde ditos liberais andam de mãos dadas com conservadores de agenda reacionária, limitando seu liberalismo à economia e gritando palavras de ordem pelo Estado Mínimo. Um país onde políticos envolvidos em escândalos permanecem tranquilamente sentados em suas poltronas no congresso, sem sentir vergonha e se achando no direito de tripudiar da voz das ruas.
                É um país que durante toda a sua história não permitiu que as camadas populares tivessem acesso a uma educação de qualidade. E quando uma pequena, ínfima parcela, por meio de políticas afirmativas chega a Universidade, o status quo decide que já está na hora de acabar com universidades públicas. Eu senti na pele esse contraste. Estudei numa faculdade privada. Com bolsa. Mas diversos amigos não tinham bolsa. Trabalhavam o dia inteiro, para conseguir pagar um curso noturno. Enquanto isso, os filhos ricos dos chefes estudavam, de graça, o mesmo curso em uma Federal. Injusto? Sim, não porque o Estado está financiando a educação superior, mas porque o fazia para os ricos enquanto excluía os pobres. A chegada de cotas, de auxílios, de bolsas, permitiu que uma parcela da população pudesse seguir sonhando.
                 Mas a voragem do capitalismo nunca está satisfeita. Quer sempre mais, deseja aprofundar mais e mais a mercantilização de cada parte da vida humana. E o governo que temos por hora reza nessa cartilha. Executa um projeto de país que foi e é rejeitado pela população. Deseja reduzir o Estado a simples agência de interesses dos grandes bancos e conglomerados financeiros, deseja esmagar a pequena estrutura de bem estar social, que hoje garante que muitos brasileiros não vivam na indigência. E tudo por desejo de lucro. De se apropriar mais e mais dos sonhos, sentimentos e aspirações, fixando um preço módico por isso. Já não se quer cidadãos, o que se quer são consumidores. Já não se tem direitos, apenas serviços.
                Num país como Brasil o que choca mais, não é a visão absurda de que o direito dos pobres é um privilégio, que é a mesma tecla que se bate no mundo todo; o que choca mesmo é que, aqui, o privilégio dos ricos é visto como um direito.  Por isso o trabalhador perde a sua aposentadoria, mas os senhores da república não perdem suas benesses.... É por isso que se corta o seguro-desemprego, mas não se corta os bônus dos altos executivos. É por isso que, em nossas cidades, há espaços onde quem é do povo nem pode pensar em frequentar.
                 É hora de dar um basta! A crise está aí, mas não é o trabalhador que tem responsabilidade por ela, então, porque deve ser dele que tem de partir os maiores sacrifícios? Esta conta tem e deve ser paga por quem mais se beneficiou com ela. Pelas grandes multinacionais, pelos grandes bancos, pelas grandes empreiteiras, por todos aqueles que tinham convite para esta grande festa, na qual o trabalhador foi deixado de fora!

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