domingo, 18 de fevereiro de 2024

Reflexões de um domingo qualquer

Hoje, quando saí para passear com o Ben, meu filhote pet, vi uma cena curiosa. Bailando pela rua, impulsionada pelo vento uma sacola plástica. Dessas de supermercado. Ela se movia graciosamente, sem peso, pelo ar, fazendo piruetas como uma borboleta enorme e esbranquiçada. 
De repente, uma lufada de vento mais forte a levou bem para o alto. Uma imagem inusitada e bonita, até, daquela sacola, que jogada fora, descartada sem cuidado, agora se elevava aos céus, contrastando entre o azul e as nuvens. 
Isso me pôs a pensar. Muito tempo depois que você se for, a sacola plástica que trouxestes do supermercado com as comprinhas que fizestes, ainda estará por aqui. Ainda será um problema de políticas públicas, quando ninguém mais se lembrar de você.
E por vezes, que coisa, né? A gente tem uma visão de si mesmos tão superestimada. O livro sagrado adverte: lembre-se de que tu és pó. Não deixa de falar sobre os humildes, os mansos. E o que mais vemos por aí? Gente orgulhosa, que bate no peito, veja só, afirmando ser bons cristãos. Geralmente, quem faz isso trata Deus como empregado, ou pior, como jagunço. 
Gosto do Eclesiastes, nele tem um versículo perfeito: "Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e se alegrar no trabalho que realiza".
É isso. A grandeza, o reconhecimento por parte dos outros é muito bom. Mas nada pode ser melhor do que a desfrutar das coisas simples da vida. 
Não somos descartáveis. Nosso valor excede o das sacolas plásticas. Então não percamos nosso tempo com coisas enfadonhas, que, diferente da sacolinha que vai durar mil anos, a gente vive brevemente. Tratemos de viver bem, de ajudar uns aos outros, pois a vida humana é transformada pela força das ações coletivas.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Carnaval

E chegamos a mais um carnaval. A maior e mais democrática festa da terra. Apesar de suas origens. Apesar das tentativas do capital de domesticá-lo, das igrejas em demonizá-lo, dos conservadores em taxá-lo de violento e promíscuo. 
O carnaval brasileiro se insere na mais pura tradição de misturar o sagrado e o profano. As cidades são divertidas: já não são mais espaços de trabalho e moradia.Transformam-se em espaços de diversão, de folia. 
A cultura transborda como as águas e flui como um rio nas cidades grandes e pequenas, onde as multidões se misturam, fazendo aflorar o que há de bom e o que há de ruim na sociedade. Afinal, o período carnavalesco não pode deixar de refletir a sociedade da qual se origina. 
E a economia também se faz presente. Hotéis, casas de shows, restaurantes e uma miríade de trabalhadoras e trabalhadores precarizados aproveitam dos dias de festa para, os últimos retirarem algum para sobreviver e os demais para auferir lucros. 
Mas ainda há machismo, lgbtfobia, abusos de toda espécie. Em meio a alegria, as sombras espreitam e muitas vezes crescem. E o rastro de maldade e violência que deixam serve de mote aos conservadores para sua grita contra o carnaval. 
Mas ainda assim, o período não é de mortificação. É de vida. Que como os foliões pulula por todo canto.
Então, quando menos de espera, chega a quarta-feira de cinzas. E de repente o mundo que parecia ter descarrilhado se encaminha de forma rápida para os trilhos e as cidades, novamente, retornam à rotina. 
E ao povo, que volta para o batente, para a realidade dura, resta esperar pelo carnaval seguinte.